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17 NOV2016
Chery e Lifan tentam "virar a página" das chinesas com Tiggo 2 e X60 CVT

UOL - Salão de São Paulo - 16/11/2016

SUVs mudam no Salão de SP para fazer marcas voltarem a crescer

O cenário do mercado brasileiro em 2014 soava mais promissor para as fabricantes chinesas do que agora. Tanto que na edição daquele ano do Salão do Automóvel quatro delas estavam presentes: JAC, Chery, Lifan e Geely.

Para o evento de 2016 ficaram apenas duas, Chery e Lifan, sendo que somente a primeira realizou coletiva de imprensa para jornalistas. A JAC, em situação financeira delicada, não topou bancar o investimento milionário exigido pela mostra. Já a Geely deixou o país.

É a clara evidência de que a crise foi mais severa para as chinesas, que tiveram de trocar os planos ambiciosos de anos atrás por alternativas mais realistas. Atualmente só a Chery cumpriu a promessa de abrir uma fábrica em território brasileiro, em Jacareí (SP), embora operando com módicos 10% da capacidade de 50 mil carros/ano.

"O mercado automotivo está muito ruim. Lembro que o mercado projetava para uma produção de quase 4 milhões de veículos por ano para 2017, e caímos para metade disso", avaliou Luís Curi, diretor e vice-presidente da Chery no Brasil.

"No caso específico das chinesas, a situação foi duplamente mais difícil, porque ainda são marcas sem tradição e reconhecimento no comércio internacional", completou.

X60 chega ao Brasil de cara nova (lanternas melhoraram, mas grade ficou poluída) e, enfim, com versão que dispensa o pedal da embreagem imagem: Murilo Góes/UOL

Chery tenta mudar o jogo

Sem malabarismos ou audácia exagerada, a nova estratégia é seguir o caminho que já está dando certo para se reerguer. No caso da Chery, que já fabrica nacionalmente a família Celer (hatch e sedã) e o subcompacto QQ, a aposta será no "mini-SUV" (que está mais para um hatch altinho aventureiro ou crossover, ao estilo de Honda WR-V) Tiggo 2.

Apresentado como segunda geração do atual Tiggo (embora seja parte de um projeto totalmente diferente, por ter porte menor e ser feito sobre a plataforma do Celer), o Tiggo 2 será lançado no primeiro semestre de 2017, também com produção em Jacareí.

Visual é muito mais atraente que o do quadradão Tiggo 3: traços dianteiros e traseira vincada lembram carros coreanos, com direito a presença de luzes de posição (em dois tons na versão de topo) e diurna em LED, além de guia com diodos também nas lanternas.

Acabamento interno não deve em nada ao de hatches compactos brasileiros; faixas em laranja remetem ao Onix Activ e servem de chamariz para consumidores de gosto mais extravagante imagem: Murilo Góes/UOL Motor 1.5 flex de quatro cilindros da família Acteco já é conhecido do Celer, mas será recalibrado para chegar a 109/113 cv (gasolina/etanol), o que ainda pode ser pouco para mover os 1.229 kg do carro (peso em ordem de marcha).

Transmissão, por enquanto, será manual de cinco marchas, e aqui talvez esteja o primeiro erro tático: como sempre, há promessa de o modelo estrear em breve a caixa tipo CVT (continuamente variável), simulando sete marchas. UOL Carros acredita que o ideal seria lançá-lo já com essa opção.

Preço inicial deve ficar abaixo de R$ 65 mil, com versão de topo perto de R$ 70 mil.

Outro anúncio foi o do sedã médio Arrizo 5, com a mesma motorização do Tiggo 2, porém já gerenciado por câmbio CVT. O três-volumes lembra um Ford Focus e tem dimensões próximas às de um Toyota Corolla: 4,57 m de comprimento e 1,82 de largura.

Para o médio prazo os planos são trazer outro crossover, o Tiggo 4 (uma espécie de "anti-Honda HR-V"), e o suvão Tiggo 7. O utilitário médio Tiggo 5, cuja fabricação nacional chegou a ser confirmada, segue sem data de chegada.

Se o porta-malas vincado lembra um HB20, caimento do vidro traseiro e lanternas podem remeter a um Fiat imagem: Murilo Góes/UOL

Lifan joga com o que tem

Acabamento do X60 segue modesto: espaço interno é seu ponto forte imagem: Murilo Góes/UOL No caso da Lifan, a escolha foi por atualizar o produto que desde sempre foi seu ganha-pão, o SUV médio X60. Para o segundo trimestre de 2017, a marca afirma que vai, enfim, lançar a linha reestilizada do modelo, já com... adivinhe? Transmissão CVT, já testada por UOL Carros na China.

Expectativa é que a configuração chegue somente na versão de topo, com preço estimado de R$ 75 mil. Meta, com ela, é dobrar as vendas, atualmente estagnada em cerca de 200 emplacamentos ao mês.

"Muitos clientes deixam de comprar o X60 pela falta da opção automática. A expectativa pelo lançamento é grande", contou Luiz Zanini, diretor de marketing da Lifan no Brasil.

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